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Engenharia
A Década da Segurança Viária

Luiza Oceano
18/09/2023

Desde a antiguidade, as civilizações buscavam um meio de comunicação que permitisse um bom funcionamento da circulação de bens e pessoas nos reinos. Os Romanos, demarcavam o tempo de percurso dos caminhos por meio de um marco de pedra, com dizeres de distância entre uma civilização e outra.
No século 17, Lisboa era uma cidade muito movimentada e marcada, principalmente, por ser o centro comercial do antigo império português. as ruas e criavam situações de desordem e conflito. Com isso, em 1625, o rei Filipe III interveio, por meio de uma carta régia, proibindo alguns tipos de meio de transporte, para tentar amenizar tais divergências.
Porém, somente em 1686, em Portugal, o rei Pedro II promulgou o primeiro ato de regulação do tráfego na Europa. O regulamento determinava que deviam ser colocados, em Lisboa, sinais de trânsito que informassem a preferência de circulação nas vias.
Vê-se, por estes relatos históricos, que regular o transporte, ordenar os fluxos e manter a segurança nas vias e de seus usuários é uma necessidade de longa data nas cidades e países.
Esta necessidade é ainda mais evidente na revolução industrial, com o advento dos automóveis, onde aumentou a velocidade de transporte de forma considerável e os acidentes oriundos desse meio de transporte ficaram mais graves.
Atualmente, os acidentes de trânsito estão entre as principais causas de mortes e lesões graves de adultos jovens, basta olharmos com atenção para as estatísticas e para os noticiários que veremos o quanto isso tem devastado famílias no Brasil e no Mundo.
Como um problema mundial, que vem sendo foco de estudos, análises e medidas de educação e engenharia, a ONU – Organização das Nações Unidas, declarou os anos de 2021 a 2030 como sendo Década da Ação pela Segurança no Trânsito e seus países membros assinaram a declaração de Estocolmo – do qual o Brasil faz parte – que tem como meta reduzir em 50% as mortes e lesões no trânsito, implementando o que podemos chamar de “Rodovias que perdoam”.
As Rodovias que perdoam reconhecem que o trânsito é um sistema complexo, onde as pessoas, veículos e a infraestrutura viária interagem de forma que assegure um alto nível de segurança de forma que prevê e considera erros humanos, incorpora projetos de vias e veículos que limitam os impactos dos sinistros e encoraja projetistas, governos e sociedade a compartilharem a responsabilidade por um trânsito mais seguro.
As metodologias e análises de sinistros e de melhorias para os pontos críticos de acidentes apontam que muitas vezes basta melhorar a sinalização, implantando melhores materiais e realizando manutenção mais constante para que essas ocorrências possam ser minimizadas. A sinalização de trânsito é uma das contramedidas com melhor custo-benefício em boa parte dos locais.
A formação inicial dos profissionais que atuam na infraestrutura de transporte pouco (ou até mesmo nada) têm esses assuntos tratados nas disciplinas de graduação das engenharias ou da arquitetura, uma deficiência das nossas escolas de educação superior, que tem sido atendida por cursos de extensão e pós-graduação.
Os profissionais que trabalham nas áreas afins de Sinalização e Segurança Viária estão sendo requisitados pelas altas demandas de mercado, com a falta de profissionais especialistas em estudos, análises, projetos e implantação de rodovias com sistemas seguros. Esta é uma grande motivação para aprofundar conhecimentos e expandir área de atuação dos profissionais de infraestrutura de transportes rodoviários. As rodovias e vias urbanas do futuro precisam de profissionais que olhem o conjunto e promovam a segurança de seus usuários.

Luiza Oceano
Graduada em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Especialista MBA em Infraestrutura de transportes e Rodovias pelo Instituto de Pós-Graduação – IPOG.
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